domingo, 7 de outubro de 2012

Breve comentário a Política Brasileira

Hoje talvez seja o dia mais importante da nação. Ainda creio que falta muitíssimo para a política brasileira ser referência no mundo. Às vezes digo que sou apolítica quando na verdade ninguém é você não acha?! Política não são somente um partido e "dois dígitos" e sim o respeito, o passar adiante e o planejamento nosso de cada dia para fazer acontecer (nessa sim eu sou engajada!). Que quando usamos em pequenas parcelas faz uma diferença tremenda. E exatamente isso que acho que falta para ser política de fato.

Decidir escrever para desabafar a minha insatisfação com relação à “candidatozinhos” a vereadores que usam o seu poder aquisitivo para persuadir. Que durante dois anos de antecedência prepara o terreno dando um presentinho aqui e outro ali para posteriormente colar um butom no meio da nossa testa. Angariar votos somente. Assim não dá. Perde-se muito com isso. Muitos acham que é uma troca boa. Pois é trocar a inteligência por mais um Tiririca na política. Aff...

Vou deixar para ilustrar um texto colhido da revista Veja da escritora Lia luft a quem admiro com paixão. Mais um detalhe que deve ser considerado; "o querer que dê certo". Fica ai o meu recado para o dia de hoje.


QUERENDO QUE DÊ CERTO

Lya Luft

Querer que dê certo, a gente sempre quer: a nova turma na escola, o novo amigo, o vestibular, o primeiro emprego, o casamento, o filho, a decisão inescapável, o necessário e o fútil, a segurança e a aventura. Os planos do novo ano. Os desejos bons e também os menos nobres, de que alguém se ferre, que para ele dê errado – porque não somos santos. A construção da vida, tanta coisa. As pessoas queridas. O livro, o carro, o amor ou até a separação. A sobrevivência depois da morte de alguém especial. Que dê certo também o que nem é pessoal mas a todos atinge: o país, a democracia, a qualidade de vida, a dignidade de todos, a redução da desigualdade, o nível do ensino, da saúde, os cuidados com a seca, com a enchente, com os deslizamentos, com os horrores da saúde pública, com o excesso de faculdades pelo país, a insensatez das cotas que promovem a discriminação e o preconceito, e marcam como incompetentes os que se beneficiam delas. Que às vezes nem têm outro jeito, pois nivelamos por baixo: facilitamos as coisas em lugar de dar aos que precisam melhores condições, condições ótimas: isso seria o sensato. Mas somos insensatos; então, torcemos para que, apesar de tudo, dê certo. Agora nos oferecem mais planos, projetos, pacotes, para que, finalmente, o país

deslanche do seu marasmo, que pacotes anteriores não sacudiram direito. Eu quero muito que deem certo esses novos projetos. Estradas e ferrovias, para começar, pois o nosso transporte é mais um inqualificável fator do nosso inqualificável atraso. Portos e aeroportos. Espero que se incluam também saúde, ensino, segurança, que andamos cada vez mais violentos e todas as notícias negativas, que são muitas, saem mundo afora preparando os espíritos para 2016. Que sejam projetos inteligentes e possíveis; que tenham à frente gente supercompetente, embora competência seja mercadoria rara por aqui. Há gente demais improvisando, viramos o país do improviso, do puxadinho, do jeitinho, do palpite? Os muito competentes podem nem querer certos cargos e encargos. Sobretudo se ligados à política: aí tudo se complica, os jogos de poder, os postos dados por interesse, não pelo preparo e capacidade, tanta trama que nem conhecemos direito, mas de que sabemos o suficiente para ficar de cabelos em pé.

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